11 de mai. de 2011

Pesquisas com RNA interferente não é mais alvo das indústrias farmacêuticas


     Quando o RNA interferente (RNAi) arrebatou os biólogos há alguns anos, as companhias farmacêuticas apressaram-se a dominar o que parecia uma maneira rápida e certeira de desenvolver novos medicamentos. No entanto, milhares de milhões de dólares mais tarde, algumas daquelas mesmas companhias estão a perder o entusiasmo pelo RNAi, como é chamado. E isso tem levantando dúvidas sobre a rapidez com que a técnica, que venceu o prémio Nobel ao conseguir desactivar genes específicos, poderá render a prometida recompensa dos medicamentos inovadores, avança o The New York Times, citado pelo Yahoo Notícias.


A maior bomba foi lançada em Novembro, quando a gigante farmacêutica suíça Roche declarou que cancelaria os seus esforços para desenvolver medicamentos usando o RNAi, depois de investir cerca de 500 milhões de dólares ao longo de quatro anos.
Na semana passada, como parte de um amplo corte em pesquisa, a Pfizer decidiu fechar a sua unidade de 100 funcionários trabalhando com o RNAi e tecnologias relacionadas.
      A Abbot Laboratories também cancelou silenciosamente os seus trabalhos com o RNAi.
     "Em 2005 e 2006, houve um súbito acúmulo de expectativas de que o RNAi curaria muitas doenças num intervalo muito pequeno", disse Johannes Fruehauf, vice-presidente de pesquisa da Aura Biosciences, uma pequena empresa investindo no campo. "Acredito que parte da excitação está a acabar, dando lugar a uma visão mais realista", acrescentou.
     O problema é que, embora os fármacos trabalhando com o mecanismo do RNAi realmente possam desactivar genes, é muito difícil levar esses medicamentos até as células necessárias.
     Numa época em que as companhias farmacêuticas já estão a reduzir os seus gastos em investigação, o RNAi tem vindo a perder espaço para alternativas que parecem mais próximas de gerar medicamentos
comercializáveis.
"Não tenho dúvidas de que, com o tempo, o RNAi chegará ao mercado", disse Klaus Stein, chefe de modalidades terapêuticas da Roche.
Mas o responsável acrescentou: "Quando analisamos o assunto, chegamos à conclusão de que temos oportunidades com uma prioridade mais alta".
A perda de apetite nas grandes companhias tem prejudicado empresas menores que se especializaram em RNAi.
A Alnylam Pharmaceuticals, amplamente considerada a líder entre essas empresas, reduziu a sua força de trabalho em um quarto no ano passado, depois de a Novartis ter resolvido não prosseguir com a parceria.
E diversas pequenas empresas fracassaram em cumprir as suas promessas, feitas a investidores, de que formariam alianças com grandes companhias farmacêuticas em 2010.
Ainda assim, muitos executivos e cientistas dizem que progressos estão a ser feitos.
Na semana passada, duas empresas farmacêuticas europeias de médio porte assinaram contratos para explorar o desenvolvimento de fármacos com RNAi.
Embora ainda não existam provas definitivas de que o uso do RNAi possa efectivamente tratar uma doença humana, hoje existem cerca de doze medicamentos de RNAi em ensaios clínicos, um recorde até hoje.
É comum entusiasmo inicial por nova tecnologia entrar em declínio. Não é incomum, segundo executivos e cientistas, que o entusiasmo inicial por uma nova tecnologia entre em declínio, mesmo com a tecnologia sendo lentamente aperfeiçoada.
Levou mais de 20 anos para que a descoberta dos anticorpos monoclonais, em meados da década de 1970, se transformasse em remédios amplamente vendidos - como o Avastin®, para o câncer, e o Humira®, para a artrite reumatóide.
"Grande parte da excitação pelo RNAi foi irracionalmente alta, para começar, e hoje é irracionalmente baixa", disse David Corey, professor de farmacologia no Centro Médico da Universidade do Texas, em Dallas.


FONTE: PFarma

Enviado por Luis Mário (aluno 1º período farmácia - UFPI)

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